terça-feira, 21 de julho de 2020

CHÂTEAU CANTELOUP 2015

CHÂTEAU CANTELOUP 2015
by FlávioMPinto
Um blend de Bordeaux Superieur. Cabernet Sauvignon, Franc e Merlot, numa harmonia ímpar.
De cor púrpura bem forte, aromas de frutas vermelhas pouco amadurecidas, o Canteloup não foge ao padrão competente do blend bordalês.
De corpo bem pronunciado , pode-se distinguir seus aspectos integrantes com um mínimo de atenção. Nenhum se sobrepõe e fica-se com a impressão de um ótimo vinho de guarda, por suas lágrimas, teor alcoólico e acidez bem significativas.
Encorpado medianamente, e com personalidade bem definida.
Frutado e complexo, com frutas negras com polpas claras, destacando-se. Cassis, fruta que não temos no Brasil, mirtilos e framboesas se fazem presentes.
Um vinho muito aristocrático e elegante com seus 13,8% de álcool , uma acidez exemplar e taninos bem presentes.
Ótimo representante do Médoc.
Deixa um final longo.
Esta é a minha opinião.

domingo, 19 de julho de 2020

CHATEAU MOULIN DE MARE 2018

by FlávioMPinto

Um bordalês para ninguém botar defeito embora muito jovem.
Cor púrpura forte, aromas de framboesas ressaltando sua origem.
É de Graves, proeminente região de Bordeaux  e próxima a Pessac Leognan. Graves se emancipou graças a qualidade de seus vinhos. Como todas AOC francesas, é um pequeno território beneficiado pela natureza, que lhe dá um solo de calcário chamado de Graves, muito fértil.
O Chateau Moulin de Mare apresenta 13,8% de teor alcoólico, uma acidez muito pronunciada e taninos presentes, mas não dominam o conjunto. Isso indica grande potencial de guarda. 
Muito encorpado, elegante e harmonioso, uma das características dos vinhos bordaleses.
Muito forte a presença de sabores de frutas negras como cassis, mirtilos e ameixas.
Deixa uma final frutado de frutas negras e vermelhas de bosques.
Esta é a minha opinião.

sábado, 4 de julho de 2020

VINHOS / VINÍCOLAS NACIONAIS-região da Campanha Gaúcha

VINHOS / VINÍCOLAS NACIONAIS-região da Campanha Gaúcha
by FlávioMPinto

Acredito que chegou a hora da verdade para os vinhos nacionais. O reconhecimento está á flor da pele dos brasileiros admiradores do líquido de Bacco.
Com o sucesso dos espumantes,  os vinhos tranquilos assumem seu lugar de espera na fila de reconhecimento. 
Temos terroirs espetaculares no nosso país, carentes de maior divulgação.
Um dos últimos terroirs descobertos foi a Região da Campanha Gaúcha,  que já produz parcela significativa da produção nacional-31%.  
O que se tem de salientar é a qualidade do terroir da Região da Campanha, ou dos terroirs, superiores as características da tradicional região da Serra gaúcha. O trabalho dos enólogos é simplificado pelas características geológicas e climáticas, que, em determinados terroirs, permite que o vinho já nasça pronto com intervenções mínimas. Em alguns, suas qualidades específicas são marcantes distinguindo e definindo sua origem, sua certidão de nascimento. 
O terreno plano facilitando o deslocamento de máquinas, o solo basáltico de ótima situação hidráulica que recebe grande insolação, regime de chuvas bem definido, favorecem a produção de grandes vinhos de ótimo custo-benefício, e de uma qualidade ímpar.
São colinas suaves de campos, muito usadas no pastoreio de gado de raças de qualidade reconhecida. 
Muitas vinícolas da Serra se abastecem na fronteira e escrevem, nos rótulos de seus vinhos, “que são da Serra gaúcha”. 
 A região da Campanha se espalha na fronteira do Brasil com o Uruguai  e Argentina em quase 500 km de comprimento por 75 a 100 km de largura da cidade de Candiota a Maçambará no RS.
Onze vinícolas instaladas na região da campanha gaúcha já perfazem 31% da produção de vinhos finos no Brasil. 
É o nosso Médoc surgindo, embora uma diferença marcante se faça presente: nas terras francesas o que impera é a pequena propriedade. 
A região francesa possui aproximadamente 80 km por 30 e, consta, que possui 1855 classificações de vinhos,  chegando a ter, nessa extensão,  pouco mais de   100 produtores de qualidade.
O selo de Indicação de Procedência-IP tem de dar sequência a seus atos indo na direção da identificação mais próxima do terroir, dando nome ao vinho. Essa IP dará a certidão definitiva não só da qualidade como de nascimento dos vinhos da Campanha.
Dentre as vinícolas destacam-se: Czarnobay-Encruzilhada do Sul,  Vinhética-Livramento, Lidio Carraro-Encruzilhada do Sul, Routhier & Darricarrére- Rosário do Sul, Batalha-Bajé, Dom Pedrito-Dom Pedrito, Peruzzo-Bajé e Salton, de Livramento.
Três pequenas regiões se apresentam como fortes candidatas para a designação de , como especificam os franceses, de Appellation d’Origen Controlée, as AOC famosas, que dão nome aos vinhos. 
A primeira delas é Palomas, distrito de Livramento e berço das uvas aristocráticas das fronteira, mas , hoje, relegadas a segundo plano e esquecida pelos donos do pedaço. A segunda, fica na região situada entre Rosario do Sul-RS e Dom Pedrito -RS , com características ímpares nos seus produtos, notadamente os vinhos tintos. A terceira região a ser destacada fica na Serra do Sudeste, em torno de Encruzilhada do Sul. 
Essas regiões já possuem condições de estabelecer pequenas regiões demarcadas, bem de acordo com a definição de terroir, para gerar produtos diferenciados, uniformes e homogêneos de especifica e alta a qualidade.
Mãos á obra!

domingo, 31 de maio de 2020

A INFORMAÇÃO SOBRE O TERROIR NOS RÓTULOS

A INFORMAÇÃO SOBRE O TERROIR NOS RÓTULOS
FlávioMPinto

Antes de alguma coisa, vamos relembrar o que é terroir: uma reduzida parcela do terreno com um conjunto de fatores,  clima e geologia ímpares, únicos, que influenciam o parreiral, gerando uma tipicidade ao produto.

”Vinho que se preze tem algo de magia. Um quê diferente na boca que o faz único. Sua alma, sua identificação individual a começar pelo rótulo, sua vestimenta.
Uma aura de estilo que o define como tal, já na apresentação, pois não tem um vinho igual a outro. É a primeira impressão que se tem.
Uma personalidade que vai se definindo desde a visão de seu corpo até a prova definitiva na boca”.
Isso escrevi em 2010 sobre um vinho.

Qual é o receio das vinícolas brasileiras em colocar a localização de seus terroir nos rótulos?
Outro dia, li numa publicação que se referia a região da Campanha, Denominação de Origem-DO, recém dada pelo INPI, de Uruguaiana a Bajé perfazendo ”45 quilômetros quadrados”. Ora, só de Uruguaiana a Livramento, metade da região, são duzentos quilômetros!!! Quanta ignorância da repórter! 
Uma denominação de Origem se pressupõe uniformidade de condições na mesma região. O terroir do Romanée Conti, um dos vinhos mais caros do planeta, é nada menos do que 2,6 ha!! Por conseguinte não poderemos ter numa região de 600 km de comprimento por 200 de largura as mesmas condições climáticas e geológicas.
Numa propaganda de uma vinícola, é abordado que o vinho é da região da Campanha gaúcha fronteira com o Uruguai.  Quantos km temos de fronteira com esse país? 
O clima é o mesmo no Seival e em Itaqui? certamente que não!
A Lei 9279/96, no artigo 178 trata de Denominação de Origem: “Considera-se Denominação de Origem o nome geográfico de país, cidade, região ou localidade de seu território, que designe produto ou serviço cujas qualidades ou características se devam exclusiva ou essencialmente ao meio geográfico, incluídos fatores naturais e humanos”.
Daí resulta na tipicidade do produto localizado numa Denominação de Origem. Porque não colocar Vinho gaúcho, como nos Gran Vin du Bordeaux e essa seria a DO mãe. 
Grande Vinho da Campanha seria uma designação-mãe  sensacional para aqueles vinhos e espumantes de toda região da campanha. Depois viriam as específicas. Seival, Palomas, Herval, Serra do Sudeste, Campos de Cima da Serra, Campos de Cima, e outros.
Mas isso não ocorre porque as vinícolas não fazem distinção do terroir das suas vinhas! Sonegam essa informação de seus clientes apreciadores. Existe uma vinícola que produz seus vinhos em Quaraí, mas diz que é região da Campanha. Custa informar o local do terroir de seus vinhos, que são excelentes?
O vinho nasce, cresce, é vinificado em torno do local onde são cultivadas as uvas que o compõem. Esses locais dão nome ao vinho. 
Já ouviram falar em Barolo, Barbaresco, Montalcino, só para citar alguns vinhos tradicionais, famosos e competentes  da Italia? quem não lembra do francês Châteauneuf-du-Pape? 
Vinho é terroir!
É também requinte, aristocracia, história, carregada pelo nome do terroir. 
É uma marca que especifica o DNA do vinho.
O vinho se chama pelo nome do terroir. Um Graves, um Sauternes, um Pomerol, um Bordeaux.
O Brasil ainda está muito longe de especificar o terroir e dele identificar o vinho.
O Rio Grande do Sul já teve uma região que poderia ser a primeira DO de fato: Palomas, um distrito de Santana do Livramento, berço das uvas finas no Brasil. Essa talvez seja a região identificada como “região da Campanha “ pela repórter que fez a matéria acima citada. Ali sim, são aproximadamente 45 Km quadrados com vinhedos da Almadén e Cordilheira de Santana, que por desconhecimento a repórter chamou pelo nome citado.

sexta-feira, 29 de maio de 2020

MARCUS JAMES RESERVADO CABERNET SAUVIGNON 2018

FlávioMPinto

Um vinho não se pode provar antes de comprar e abrir a garrafa. Olha-se o rótulo, vai um conhecimento da vinícola e entra-se no rótulo para obter informações. E até intuição. Assim ajo ao comprar vinhos que não conheço.
Assim foi com o MARCUS JAMES RESERVADO CABERNET SAUVIGNON 2018 da Serra gaúcha. 
A marca é conhecida de uma competente vinícola, a Aurora.
De cara apresenta-s como um vinho simples,  buquê pouco pronunciado, aromas suaves,  e de tímidas lágrimas.
Seus 12% de álcool já indicam seu público e pouca capacidade de guarda.
Na boca, sabores de ameixas frescas, só. 
Um bom vinho, sem muitos atributos, para o diário de quem não exige muito de um vinho.
Deixa um final muito curto.
Esta é a minha opinião.

CHATEAU DE REIGNAC BORDEAUX SUPERIEUR 2016

FlávioMPinto

Um Bordeaux para ninguém botar defeito. Un grand vin du Reignac.
Púrpura forte, aromas de groselhas indicando o blend bordalês como só o pessoal de Bordeaux sabe fazer.
Aromático e de cor púrpura , o Chateau de Reignac 2016 já chega reinando. 
Na boca, uma maciez de dar inveja, ao mesmo tempo em que uma elegância se manifesta com seus 14% de álcool, uma acidez muito boa e uma complexidade de sabores ímpar, indo de groselhas a mirtilos e ameixas amarelas, tudo harmonicamente colocado. 

Medianamente encorpado, trás uma aura de aristocracia, uma finesse a cada gole, originada de uma das regiões mais nobres da produção de vinhos finos no planeta.
É um legitimo filho da mais antiga e aristocrática região francesa.
Deixa um final profundo e duradouro.
Esta é a minha opinião.

domingo, 24 de maio de 2020

GUATAMBU DA ESTÂNCIA Chardonnay Gewurztraminer Sauvignon Blanc 2019

GUATAMBU DA ESTÂNCIA Chardonnay Gewurztraminer Sauvignon Blanc 2019
FlávioMPinto

A jovem vinícola de Dom Pedrito-RS, na região da Campanha gaúcha, hoje um complexo de enoturismo, vem se destacando por excelentes produtos.
A Guatambu ousou nesse blend distanciando-se das mesmices brasileiras. 
De cor clara, amarelo palha, muito aromático com limões se salientando. O  blend é composto de Chardonnay, Sauvignon Blanc e Gewurztraminer colhidas manualmente.
Os seus 12% de álcool  integram um corpo muito elegante com uma acidez agradável e uma doçura leve. 
Na boca, sente-se a complexidade dos sabores de maças, lixias, pêras, canela, amêndoas. 
Um vinho branco bem cítrico, mas suave, e surpreendente na apresentação das camadas de sabores.
Um excelente vinho da região da Campanha gaúcha.
Esta é a minha opinião.