domingo, 30 de agosto de 2020

ALMADÉN VINTAGE CHENIN MUSCAT 2019

ALMADÉN VINTAGE CHENIN MUSCAT 2019
by FlávioMPinto

Vinho produzido pela Miolo na região de Casa Nova-Bahia, mas , de acordo com o rótulo, é de Bento Gonçalves! Pasmem ao desrespeito da Miolo com o terroir baiano e com os admiradores da marca. Isso é normal na empresa, e ainda não entendi porque escondem o terroir nos rótulos. Quem não conhece “passa batido” na informação da origem dos produtos. Isso é para um público mais qualificado.
Com certeza, os produtores não sabem, que o vinho e terroir e são indissociáveis, chegando, em muitos casos levar o nome do terroir no seu rótulo. 
Mas vamos ao vinho da Almadén.
A Chenin Blanc é uma uva francesa típica do Vale do Loire e a Muscat é a versão francesa da Moscatel italiana.
De cara os aromas de querosene e borracha misturados com cítricos e flores fazem o ambiente. Uma mistura de aromas do Vale do Loire com Borgonha.
Na boca, o baixo teor alcoólico, 10,5%, uma das características das duas cepas, embala sabores de maça verde, damasco, laranjas, limões, e a excelente acidez é  destaque com frutas secas, como nozes.
Uma complexidade, que chega até assustar quem aprecia vinhos, pela variedade de sabores.
Uma combinação elegante de uvas brancas adequadas para guarda, como se faz na Borgonha, algo inusitado no Brasil, ainda mais de brancas.
A apreciação do Almadén Chenin Muscat é para poucos.
Esta é a minha opinião.

terça-feira, 18 de agosto de 2020

Vale de Atacama Single Vineyard Selections Cabernet Sauvignon 2019



Vale de Atacama Single Vineyard Selections Cabernet Sauvignon  2019
FlávioMPinto

Os vinhos chilenos, das mais variadas cepas, em particular as internacionais Cabernet Sauvignon e Merlot, atingiram um patamar de excelência que já chegou aos mercados mundiais. 
O Chile já é uma potência vinícola reconhecida. Os seus vinhos tem um poder de penetração nos mercados muito grande, destacando-se os vinhos do dia-a-dia de qualidade acima da média.
Os terroirs se multiplicam com sua qualidade consolidada.
Esse Vale de Atacama Single Vineyard Selections Cabernet  Sauvignon  2019, nada deixa a dever aos melhores vinhos simples do mercado internacional competitivo.
Descomplicado, cálido, agradável, fácil de degustar e gostar.
Aromas reduzidos, mas presentes, de framboesas maduras.
Sabores de frutas vermelhas maduras como amoras e uma pitadinha de chocolate.
O teor de álcool de 12,5% não tira sua elegância. Uma ótima acidez.
Deixa um final longo e prazeroso.
Esta é a minha opinião.


quinta-feira, 30 de julho de 2020

GEORGES DUBOEUF MOULIN A VENT 2013

GEORGES DUBOEUF MOULIN A VENT 2013
by FlávioMPinto

Moulin a vent é a mais proeminente região dos 10 Crus de Beaujolais. A cepa produzida naquela região é a Gamay Beaujolais. 
Destaca-se o evento a todo 28 de novembro, quando do lançamento do Beaujolais Nouveau, um vinho jovem e que deve ser consumido em um ano. 
“Le Beaujolais Nouveau c’est arrivée!” bradam os produtores da região e fazem uma grande festa de lançamento.
O vinho produzido por Georges Duboeuf não é um Nouveau, mas guarda características daquele ícone. 
Pouco aromático e de cor púrpura com grande transparência.
Na boca, a pouca expressão dos  taninos, característica da cepa, uvas de cascas finas, baixo teor alcoólico, a acidez assume a liderança da estrutura acompanhada dos sabores complexos. 
Um excelente vinho para acompanhar pratos leves.
Esta a minha opinião.

quarta-feira, 29 de julho de 2020

DFJ Tinta Roriz Merlot 2008

by FlávioMPinto

Mais um vinho português de respeito.
Simples, com 14% de teor alcoólico, é uma ótima pedida para o dia-a-dia.
Aromas fortes de framboesas, de cor escura impenetrável e intensa.
Na boca, frutas negras jovens como amoras e mirtilos, se fazem presentes.
Muito encorpado, com taninos muito salientes, formando um corpo muito firme e estruturado.
Faz parte do time português de assemblages harmônicos e competitivos. 
A Tinta Roriz é uma casta clássica portuguesa e constitui  blends muito distintos, reinando principalmente na região vitivinícola de Lisboa.
O DFJ deixa um final longo e frutado.
Esta é a minha opinião.

domingo, 26 de julho de 2020

AMARONE DELLA VALPOLICELLA CLASSICO SUPERIORE 2009

by FlávioMPinto

Um clássico da vitivinicultura italiana. Esse é da Azienda Agricola Benedetti , de Negrar.
De cor púrpura opaca, mas com reflexos demonstrando sua vivacidade. Aromas cítricos surgem de uma taça contendo um vinho com mais de dez anos, mas, com seus aromas vivos, parece ser jovem.
O Amarone Della Valpolicella é feito com três uvas no Piemonte: Molinara, Corvina e Rondinella.
Depois de um processo centenário de confecção, o Amarone é colocado no mercado, sem antes permanecer um bom par de anos amadurecendo nas garrafas.
Na taça, já liberado da rolha, revela novos aromas cítricos, muito frutados e inéditos para um tinto: flores, limões e laranjas, que se confirmaram nos sabores complexos.
Muito encorpado, embora com 12,5% de álcool, não se enquadraria num bom vinhos de guarda, mas seus taninos, sabores  e acidez garantem essa presença ilustre.
O Amarone della Valpolicella faz parte do primeiro time dos vinhos italianos longevos.
Deixa um final cítrico e longo.
Esta é a minha opinião.

quinta-feira, 23 de julho de 2020

O VINHO- PRAZER, VÍCIOS E VIRTUDE.

O VINHO- PRAZER, VÍCIOS E VIRTUDE.

by FlávioMPinto


O escritor filósofo americano Roger Scruton nos trás valiosos ensinamentos sobre o vinho, abordando a filosofia que cerca a bebida de Bacco / Dionísio, no seu livro Bebo, então existo( Ed OCTAVO -São Paulo 2011).

Que o vinho é uma bebida diferenciada, única, e agrega valores, sabemos. Mas a filosofia que carrega cada gole, ou uma degustação plena com amigos ou mesmo só, pouco é comentada. 

Começamos com o bebedor, melhor dizendo o degustador, pois vinho não se bebe, se degusta. Sorve-se cada gole sentindo o líquido indo até o reconhecimento da terra que o produziu, o terroir,  e sua história. Os vinhos mais aristocráticos recebem o nome do terroir e não um fantasia!

Scruton divide os vícios em dois grupos: os danosos e os virtuosos. Em ambos o álcool se faz presente. 

Os danosos são os que causam dano ao se pronunciarem no corpo, começando com as alterações de atitudes.

Já os virtuosos, conduzem a virtudes. 

O vinho inebria e não deixa o degustador perder a consciência, enganando-se com mundos fantasiosos que não existem, como nas demais bebidas alcoólicas e nas drogas. Daí vem o diferencial do vinho. 

O prazer, que cada degustação dá a quem o aprecia, e  valoriza, é imensurável. A medida que o líquido de Bacco, com seus aromas, entrando pelas narinas e depois descendo , se apossando da boca e da garganta, apresentando  suas características, personalidade, caráter e origem inequívocas. Sem esconder um detalhe sequer.

O vinho fala com seu consumidor. 

Os efeitos mentais da degustação de um vinho ultrapassam a simples ingestão. O próprio ritual da degustação já eleva a discussão para um patamar acima do normal. A degustação é sensitiva e não material, dependendo da percepção de cada um, gerando buscas na linguagem para melhor identificar aromas, sabores e outros aspectos técnicos. Aí já começa o crescimento intelectual e espiritual do consumidor.

Ele( o vinho), nos trás para dentro de uma vida regrada, de respeito ás normas de convivência e educação, respeitando as nossas ilusões, evidenciadas pelo controle da bebida, permitindo-nos até viajar no tempo. Isso inicia no serviço.

O convívio com o vinho permite agregar valores significativos individualmente e a grupos a medida que impõe a verdade e o respeito.

Talvez sejam esses, alguns dos valores evidenciados de sua presença nas religiões e seus cerimoniais.

Não esquecendo, também, da autoridade que o acompanha, calçada na verdade, respeito, tradições e honestidade que carrega.

Os vinhos mais tradicionais carregam uma aristocracia e finesse como poucos produtos, deixando seu teor de álcool , como coadjuvante e não colaborando para anestesiar o consumidor.

O efeito inebriante do vinho nos conduz á verdade, que foge dos degustadores comuns. 

O vinho é um universo á parte na sociedade.

terça-feira, 21 de julho de 2020

CHÂTEAU CANTELOUP 2015

CHÂTEAU CANTELOUP 2015
by FlávioMPinto
Um blend de Bordeaux Superieur. Cabernet Sauvignon, Franc e Merlot, numa harmonia ímpar.
De cor púrpura bem forte, aromas de frutas vermelhas pouco amadurecidas, o Canteloup não foge ao padrão competente do blend bordalês.
De corpo bem pronunciado , pode-se distinguir seus aspectos integrantes com um mínimo de atenção. Nenhum se sobrepõe e fica-se com a impressão de um ótimo vinho de guarda, por suas lágrimas, teor alcoólico e acidez bem significativas.
Encorpado medianamente, e com personalidade bem definida.
Frutado e complexo, com frutas negras com polpas claras, destacando-se. Cassis, fruta que não temos no Brasil, mirtilos e framboesas se fazem presentes.
Um vinho muito aristocrático e elegante com seus 13,8% de álcool , uma acidez exemplar e taninos bem presentes.
Ótimo representante do Médoc.
Deixa um final longo.
Esta é a minha opinião.