terça-feira, 21 de agosto de 2018

A HONESTIDADE DO VINHO

A HONESTIDADE DO VINHO
FlávioMPinto

O mundo do vinho gira em torno da credibilidade e origem do produto. Não é á toa a palavra que mais gera confiança nesse meio é TERROIR.
Significa a origem atestada do produto como a garantia de qualidade. 
Significa uma área, pequena, com características climato-geológicas muito distintas e definidas, que , por seu turno, geram um produto muito singular e reconhecido.
Essa definição- terroir- foi feita por franceses para adequar sua produção ao terreno onde é produzido determinado vinho. 
Surgiram, a quase 1 século, as AOC-Appellation D’Origen Controlée, origem de seus mais dignificantes vinhos. Áreas pequenas onde se produzem  vinhos exclusivos e reconhecidos por sua qualidade vinculada ao terreno onde são produzidos. Constituem padrões de vinhos e não marcas, cercados de procedimentos obrigatórios. Por exemplo, numa área de 3200 hectares no Vale do Rhône nas cercanias de Châteuneuf-du-Pape são produzidos mais de 100 tipos de vinhos Châteuneuf-du-Pape, dentro da especificação de serem feitos com três uvas obrigatórias- Carignan, Mourvédre e Grenache, mais 10 a critério do produtor. Tudo obrigatoriamenhte perfazendo um mix de treze uvas tintas. 
Então, e por consequência, o terreno identifica e permite que o vinho seja chamado por seu nome e não o da uva.
  • “Quero um Pomerol, pede um francês num restaurante” e não um Merlot. Pomerol é uma região da margem direita do rio Dordogne, em Bordeaux,  que produz vinhos feitos á base da uva Merlot de forma muito exclusiva.
O terroir de um dos vinhos mais caros do planeta- o Romanée Conti- na Borgonha, tem apenas 2,6 hectares e custa mais de 10 mil dólares a garrafa!
Os franceses da Borgonha criaram mais um padrão acima do terroir: o CLIMAT, que engloba o modo de produzir o vinho e já temos crescimento muito grande dos vinhos orgânicos e os biodinâmicos , incontestes acompanhadores da projeção da proteção ambiental e animal.
Agrega-se a essas distinções a fase final da produção, e nos rótulos franceses, consta MIS IN BOUTEILLE. Sim, engarrafado na origem, ou seja, o processo todo se dá dentro do terroir!
Os rótulos dos vinhos distintos são assim: o respeito ao consumidor apresentando um produto garantido com confiabilidade e confiança no terroir onde foi gerado, tudo em nome da qualidade e respeito ao consumidor!
Não sei quando teremos no Brasil essa mentalidade.

In Vino Veritas!

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

ALABASTRO RESERVA 2014

ALABASTRO RESERVA 2014
FlávioMPinto
Um vinho bem português, com certeza. Com uvas autóctones lusas como Aragonez, Trincadeira e Alicante Bouschet, todas cultivadas no Alentejo.
A Aragonez também é conhecida em Portugal como Tinta Roriz e na Espanha é a Tempranillo, uva mítica espanhola. 
De cor forte, escura e aromas marcantes de couros e frutas negras. 
Na boca, os aromas se revelam em frutados de ameixas negras, cerejas bem maduras, tabaco.
Bem encorpado e com 14% de álcool, fica levemente alcoólico, mas faz boa harmonia com os taninos presentes e  os sabores.
Obviamente é complexo e também elegante!
Deixa um final longo e marcante.
Esta é a minha opinião.

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

FLÁVIO MPINTO LA ROSA MERLOT ROSE 2017

FLÁVIO MPINTO LA ROSA MERLOT ROSE 2017
FlávioMPinto
Uma criação inusitada da Bodega 636, pequena vinícola de Rivera-Uruguai, bem na linha divisória com o Brasil. 
A Merlot ficou pouco tempo em contato com as cascas e gerou essa cor salmão belíssima. 
Thiago Gutierrez, o enólogo, foi muito feliz nesta criação.
Gerou um vinho atípico da cepa, um teor alcoólico baixo 12%, bem de acordo com os vinhos rosées, mas ele é oriundo de um tinto, e carrega a personalidade dos rosées!
Um vinho bem aromático que agrada muito, por sua acidez, frescura, sendo um belo par para pratos leves do verão.
Leve, corpo delicado, nada enjoativo, aromas de flores silvestres e com uma mineralidade presente.
Não se nota a presença da Merlot tinta, mesmo  apresentando uma tanicidade muito leve. 
O teor alcoólico de 12% dá um toque especial ao La Rosa. 

Esta é a minha opinião.

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

REY DE COPAS TEMPRANILLO 2015

REY DE COPAS TEMPRANILLO 2015
FlávioMPinto

Vinho espanhol da uva mais emblemática daquele país: a Tempranillo.
Bem aromática, de cor violeta e aromas também de violetas suaves.
De cor violeta pouco intensa, pouco aromático, não gerando expectativas no seu bouquet.
Na boca se revela, apresentando sabores de baunilhas indicando sua passagem por barricas de carvalho.
Pouco alcoólico-12%- e pouco tânico. Um vinho bem suave e fácil de degustar. 
Também apresenta acidez média, não revelando sua faceta gastronômica. 
Medianamente encorpado . Essa é a personalidade do Rey de Copas- um vinho ameno, não agressivo, agradável de degustar, sem maiores problemas e conhecimentos. 
Deixa um final curto.

Esta é a minha opinião.

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

LE BATELEUR TANNAT ROSE 2017

LE BATELEUR TANNAT ROSE 2017
FlávioMPinto

LE BATELEUR-o Mago-  é uma carta do Tarot que dá início á caminhada espiritual. Representa o poder da mente em direcionar um projeto com maestria. Além de reunir criatividade, espontaneidade e naturalidade, retrata a pura concentração de esforços e conhecimentos, capaz de lhe proporcionar um repleto leque de sensações.
Um Tannat jovem vinificado em rosé da Casa Venturini, de Flores da Cunha. Um trabalho diferenciado do enólogo da Casa Goes & Venturini. 
Perfumado, aromas minerais e flores silvestres aos borbotões quando se destampa a rolha de rosca. 
Cor rosa/salmão muito bonita e chamativa.
Na boca, é muito fresco e frutado. Com 12,2% de teor alcoólico é muito agradável de degustar. Não é enjoativo no final, mas não preserva as principais qualidades da uva origem, como potência e taninos bem presentes. Afinal é um rosé e apresenta personalidade de vinhos desse tipo como leveza, mineralidade e frutado de frutas frescas.
Combina, evidentemente, com pratos leves em momentos descontraídos. 
Deixa um final frutado.

Esta é a minha opinião.

quarta-feira, 25 de julho de 2018

FLAVIO MPINTO Rouge 442- o espírito da Campanha-2018



FLAVIO MPINTO Rouge 442- o espírito da Campanha-2018
FlavioMPinto
A campanha gaúcho-uruguaia é cheia de estórias. Seu povo hospitaleiro, o clima ás vezes hostil que afasta as pessoas, mas as une em torno de um braseiro com um chimarrão amigo de mão em mão. A fronteira plana e permeável ao tráfego de pessoas permite que andemos nos dois lados e ás vezes nem sabendo em que país estamos. Tudo se mistura, gente, línguas, costumes, folclore, comércio, paladares.
Fazer uma crítica do meu vinho é como o cachorro brincar com rabo. Seria até antiético se não fosse meu. Me lembra uma entrevista da cantora Maria Rita, onde uma “repórter”, perguntou se ela não sentia vergonha de imitar Elis Regina. A cantora respondeu que “sentiria, se ela não fosse minha mãe!” Eu não sei onde a repórter se escondeu depois dessa.
Mas o Rouge está aí e vou relatar as primeiras impressões e o que eu já esperava do Blend.
Ele é um blend de Tannat, Cabernet Sauvignon e Merlot, uvas que se aclimataram muito bem na região, uma das últimas fronteiras vitivinícolas do mundo, a região da Campanha  gaúcho-uruguaia. 
Um vinho de autor, onde colaborei com a concepção do vinho escolhendo as uvas e as proporções entre elas e o enólogo uruguaio Thiago Gutierrez, da Bodega 636, Rivera-Uruguai, concretizou meu sonho. 
A própria vinícola se encontra na linha divisória e, 636, é o nome do marco trigonométrico de fronteira internacional que está ao lado de um dos vinhedos. Não quis deixar passar essa safra de 2018, que se apresenta como uma das melhores dos últimos 50 anos. 
Não passou por correções em barricas, portanto, é a mais pura expressão das uvas que o integram: o verdadeiro Espírito da Campanha. 
De cor violeta bem definida e intensa, aromas suaves de frutas vermelhas com destaque para cerejas e framboesas.
Na boca continua suave, mas bem encorpado com persistentes sabores de cassis, mirtilos, frutas negras silvestres, como amoras. Um sabor delicado de laranjas e limões, surge no final, como ato representante da Tannat.
O teor de 13,4 % de álcool o deixa muito equilibrado e elegante ao ombrear com os taninos, aromas e acidez marcante.
A potência da Cabernet Sauvignon, a maciez da Merlot e força da Tannat se fazem presentes dando complexidade, personalidade e caráter ao Rouge 442. 
A harmonia na complexidade entre os aspectos constituintes do vinho é destaque. 
Já esperava isso do Rouge: elegância, equilíbrio, aristocracia. Reflexo das maiores virtudes das cepas envolvidas e presentes no blend. 
Um vinho amigável, como o espírito hospitaleiro da gente da fronteira, mas ao mesmo tempo complexo de nuances. 
Era o vinho que gostaria de chamar de meu e , penso, que consegui atingir o objetivo. 
Meus agradecimentos á 636 e ao Thiago.

segunda-feira, 16 de julho de 2018

BLUE 2017- UM TOQUE DE FANTASIA


BLUE 2017- UM TOQUE DE FANTASIA
FlávioMPinto

Um vinho inusitado de cor azul. Muito bonito. A cor não é fruto da fermentação e sim do acréscimo de um corante. 
Um vinho de autor que vem do Uruguai, dos Vinhos Finos H.Stagnari, uma das mais qualificadas daquele país.
Um blend de Gewurztraminer, Chardonnay, Viogner e Pinot Noir.
De aromas florais bem definidos, de flores brancas e de pão torrado, abacaxi, lixias, canela e gengibre, doses muito boas de características das uvas que integram o blend. 
Um vinho bem aromático e de teor alcoólico baixo-11,5%- muito agradável de degustar. Na boca destacam-se os sabores oriundos dos aromas e uma ótima acidez que acentua a vertente gastronômica. 
Um sabor amanteigado indica fermentação malolática bem feita.
Muito fresco e delicado.
Deixa um final delicado , fresco e floral.
Esta é a minha opinião.